
Pára-raios não é tão essencial assim, a vida as vezes nos faz crer que sim, mas temos que aprender a lidar com situações muito inusitadas e tantas são as vezes em que não temos qualquer tipo de "pára-raios", não é mesmo?
Trago a tona este tema por ter recebido e-mail de colega blogueira, responsável pelo site pessoal Foi desse jeito, no qual ela mencionava viver em uma casa que não tem pára-raios. Fiquei então pensando no significado daquilo e, em minha resposta a ela, disse as palavras que compõem o primeiro parágrafo desta postagem...
Penso que fomos tornando a vida cada vez mais rica e confortável em termos materiais, criando artefatos e utensílios que extrapolaram muito as nossas necessidades básicas e reais. Daquela imagem célebre do homem pré-histórico que joga um osso para o céu depois de ter entendido a possibilidade que o mesmo lhe legava para defender-se, caçar, catar frutos em galhos altos ou ainda outras possibilidades, que faz parte do clássico 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, até os dias de hoje, muita coisa mudou mesmo...
Do osso para o pára-raios e outras funcionalidades não deixamos de vislumbrar, no entanto, a tal riqueza e o desejado conforto material que mencionei... O problema é que, a despeito da comodidade, creio que estes avanços em muitos casos acabaram nos tornando mais comodistas e, às vezes, até mesmo medrosos quanto as possibilidades da vida sem os tais pára-raios e demais utensílios...
Sei que são meios, recursos e ferramentas de valor... Tudo o que temos constituído de algum modo tem utilidade e facilita nossa existência... Mas, além dos receios decorrentes da perda de algum destes itens que hoje fazem parte de nossas vidas será que também não deixamos para trás a nossa capacidade de nos reinventar, de criar e de encarar as situações de modo diferenciado por não termos em mãos nenhum destes "pára-raios"?
Só para exemplificar, outro dia recebi uma mensagem em que um aluno elogiava, com toda justiça sua professora da faculdade, mencionando que ela conseguia, sem utilizar qualquer tecnologia, dar aulas excelentes. Tal mestra pode ser considerada antiquada por muita gente por não ter como "pára-raios" os computadores e a web... Mas o aluno em questão exaltava justamente isto, a incrível capacidade de concatenar idéias, explicitar fatos, elucidar conceitos, explicar teorias e, pasmem, tudo isto apenas a partir de sua experiência, leituras, textos próprios, planejamento de aula, conhecimento dos tópicos trabalhados e capacidade de comunicar-se em público!
Não estou com isto condenando as tecnologias, sou usuário e sei da importância e das possibilidades que elas nos legam, mas eu mesmo já passei em duas ocasiões por situações em que o "pára-raios" falhou e nas quais fui salvo pela capacidade de criar rapidamente respostas as dificuldades que se faziam presentes. Em ambas estava apresentando palestras e o equipamento onde apresentava meus slides (powerpoint) falharam...
Diante de públicos de diferente monta (uma vez com mais de 300 pessoas e na outra com grupo pequeno, de 40 participantes), tive que demonstrar espirituosidade, rir da situação ao mesmo tempo em que, obviamente, estava preocupado e dizer a todos que: "É, os equipamentos falham, não é mesmo, ainda bem que é o ser humano que está a frente e que deles faz uso!".
E é justamente isto que quero ressaltar, ou seja, que não nos coloquemos de lado, imaginando que sem os "pára-raios" não somos capazes de fazer as coisas, tudo aquilo para que fomos abençoados e preparados (e também para o que ainda não fomos). Se tivermos os pára-raios, ótimo, senão... Também!
Por João Luís de Almeida Machado




2 comentários:
Muito bom seu texto.Parabéns !
Realmente foi um susto enorme, saiu queimando tudo que estava ligado no momento.Depopis desse dia eu passei a ficar mais ligada e preocupada.
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